domingo, 3 de abril de 2011

O idiota coletivo

Como podem observar, tenho postado vários artigos de meus mentores intelectuais, o que para um país de coletividade  arraigado, onde discordar você passa a ser considerado um lunático. Pois bem continuarei na mesma sequência de posts, até que tenha tido a maturidade suficiente, e o intelecto preparado, para dividir com os amigos as experiências do pensamento. Um país voltado para reality shows, novelinhas grotescas, onde se tem grande audiência, não porque o povo, não tenha oportunidade de lazer, más simplesmente, uma tríade de insensatos corações e miolos moles. Que Deus nos afaste de tamanhas transgressões.

Shalom !!!

Carta ao General Torres de Melo

Rio de Janeiro, 1º de abril de 2011
Gen Div Ref Francisco Batista Torres de Melo
Prezado Amigo,
Tomei conhecimento através de vários comunicados de leais soldados brasileiros, da proibição em todas as Unidades Militares do país das tradicionais comemorações do dia 31 de março, dia da Contra-Revolução que salvou o Brasil de ser hoje uma miserável e torturada Cuba. Pelos jornais - melhor seria dizer folhetins financiados pelo dinheiro público - soube que até mesmo o General de Exército Augusto Heleno teve que renunciar às homenagens do dia. Há somente três anos dirigi a palavra a centenas de oficiais das Forças Armadas no Comando Militar do Leste a convite de seu então Comandante, Gen Ex Luiz Cesário da Silveira Filho e do Chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa, Gen Ex Paulo Cesar de Castro. Pela primeira vez um ex-comunista falava à alta oficialidade sobre o real significado da Contra-Revolução de 64. Hoje, três anos depois, nem mesmo vocês podem se dirigir a seus colegas de armas. O que mais me chocou, no entanto, foi a notícia das ocorrências no 23º BC, oportunamente denominado Batalhão Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, onde, como o caro amigo sabe, estive preso de 10 de outubro a 20 de dezembro de 1965. Imagino como o amigo dever ter sentido com a recusa, triste ao que consta, do Comandante que, ao obedecer a ordem superior, cancelara a justíssima homenagem ao Patrono da unidade. Como o conheço bem, um homem sentimental e entusiasmado pelos seus feitos, imagino a decepção que dever ter sentido com esta recusa.
Na época de minha prisão o hoje Ilustríssimo Patrono do Batalhão, presidia nosso país, eleito pelo Congresso Nacional contando inclusive com o voto do ex-presidente JK, então senador por Goiás. Lembro como nós, da esquerda 'pelo povo' ficamos decepcionados com o rapidíssimo desenrolar dos acontecimentos nos últimos dias de março e primeiros de abril de 64. Não conseguíamos acreditar que a população do Brasil em peso apoiava um movimento de 'milicos reacionários' que tomavam o poder para 'manter as oligarquias e os privilégios, contra os legítimos interesses do povo' que, por alguma mágica ou alquimia, só nós sabíamos quais eram. Por estas sendas cheguei a Vice-Presidente da UNE e fui incumbido de levar a palavra da Une - e sigilosamente da AP, Ação Popular - aos estudantes do Ceará. Minha prisão nesta unidade serviu-me de lição, muito embora casmurro que sempre fui, levei mais dois anos para ver a degradação à qual a militância comunista me levara, e só ao desencadearem a 'luta armada' consegui perceber.
Mas certamente uma das maiores lições foi ter o privilégio de conhecer seu ilustre pai, com sua vasta cabeleira branca que me visitara sem poder me dirigir a palavra, nem eu a ele. Não obstante, percebi em seus olhos a simpatia e a confiabilidade que pude atestar pouco tempo depois. Quando fui solto me dirigi à loja As Duas Torres, de propriedade de seu pai e fui tratado com carinho, respeito e confiança a tal ponto de me oferecer o quanto eu precisasse para voltar ao sul sem mesmo aceitar um recibo, pois, como me disse, irmãos não deixam de pagar a irmãos - ele e meu pai eram maçons.
Caro amigo, não se deixe abater pelos acontecimentos de ontem, a verdade sempre prevalecerá, apesar de certas 'comissões' que jamais aceitariam um testemunho como o meu.
Um grande e afetuoso abraço do amigo
Heitor de Paola
Ex-preso político do Batalhão Castelo Branco


sábado, 2 de abril de 2011

Sabedoria e etica

Se tentarem e não conseguirem, não se sintam mal. D’us perdoa nossas falhas no momento em que nós as reconhecemos como falhas. Isto nos poupa da auto-desilusão de tentar vê-las como “sucessos”.
Nenhuma das pessoas que admiramos teve sucesso sem ter enfrentado muitos fracassos pelo caminho. Grandes poetas escreveram poemas horríveis; grandes artistas pintaram telas indecifráveis; nem todas as sinfonias de Mozart foram obras primas. Se lhes faltar a coragem de falhar, faltar-lhes-á a coragem de vencer.
Sempre busquem a amizade daqueles que são fortes naquilo em que vocês são fracos. Nenhum de nós possui todas as virtudes. Mesmo um homem da estatura de Moshé precisou de um Aaron. O trabalho de uma equipe, uma parceria, a colaboração com os demais que têm dons ou diferentes maneiras de ver as coisas, é sempre mais do que o que um indivíduo pode conseguir sozinho.
Criem momentos de silêncio em sua alma se quiserem ouvir a voz de D’us.
Se algo estiver errado, não culpem os outros. Perguntem, “como posso ajudar para que dê certo?”
Sempre se lembrem de que vocês criam o ambiente que os cerca.
Se quiserem que os outros sorriam, vocês devem sorrir. Se quiserem que os outros dêem, vocês devem dar. Se quiserem que os outros os respeitem, vocês devem mostrar respeito por eles. A maneira como o mundo nos trata é um espelho de como tratamos o mundo.

Sejam pacientes. O mundo, às vezes, é mais lento do que vocês. Esperem até que os alcancem, pois se vocês estiverem no caminho certo, o mundo acabará por alcançá-los.
Nunca estejam com o ouvido tão próximo do solo que não dê para ouvir o que diz alguém de pé.
Jamais se preocupem quando dizem que vocês são por demais idealistas. Apenas os idealistas conseguem mudar o mundo; e será que vocês querem que este mundo permaneça imutável, ao longo de sua vida?
Sejam corretos, honestos e façam sempre aquilo que disserem que irão fazer. Não há, realmente, outra maneira de se levar a vida.
Rabino Chefe, Lorde Jonathan Sacks

A Sabedoria Judaica

Queridos filhos, ainda que a sabedoria seja um bem que não tem custo, é, no entanto, o mais caro de todos, já que costumamos adquiri-la através  de um fracasso, um desapontamento ou sofrimento. Por isso, devemos tentar compartilhar nossa sabedoria com os demais, para que estes não tenham que pagar o preço que pagamos para conquistá-la.
Estas são algumas das lições  que o judaísmo me ensinou sobre a vida e que desejo compartilhar com vocês:
Nunca tentem ser espertos. Tentem, sempre, ser sábios. Respeitem os outros ainda que estes os desrespeitem.
Nunca busquem publicidade pelo que fizerem. Se merecerem, a receberão. Se não a merecerem, serão atacados. De qualquer modo, a bondade não carece de chamar atenção sobre si.
Quando se pratica o bem a outrem, os beneficiários serão sua própria pessoa, sua consciência e seu auto-respeito. A maior dádiva da doação é a oportunidade de poder doar.
Na vida, nunca peguem os atalhos. Não há sucesso sem esforço, nem conquista sem empenho.
Afastem-se dos que procuram honrarias. Sejam respeitosos, mas lembrem que ninguém tem a obrigação de servir de espelho para os que estão apaixonados por si próprios.
Em tudo o que fizerem, não se esqueçam de que D’us tudo vê. Não há como enganá-Lo. Quando tentamos ludibriar os outros, geralmente a única pessoa que conseguimos enganar é a nós mesmos.

Sejam muito, mas muito cautelosos em julgar os outros. Se eles estiverem errados, D’us os julgará. Se formos nós os errados, seremos nós os julgados. Muito maior do que o amor que recebemos é o amor que damos.
Dizia-se de um grande líder religioso que ele era um homem que levava D’us tão a sério que nunca sentiu a necessidade dele próprio se levar a sério. Isso é algo a que vale a pena aspirar.
Usem bem o seu tempo. Nossa vida é curta, muito curta para ser desperdiçada diante da televisão, nos jogos de computador e nos e-mails desnecessários; muito curta para ser desperdiçada com fofocas ou invejando o que é dos outros; muito fugaz para sentimentos como raiva ou indignação; muito curta para perder tempo criticando nosso próximo. “Ensina-nos a contar os nossos dias”, diz o Salmista, “para que tenhamos um coração de sabedoria”. Mas um dia em que fazemos algo de bom a outrem não é um dia desperdiçado.
A vida lhes oferecerá muitos motivos de aborrecimento. As pessoas podem ser negligentes, cruéis, desatenciosas, ofensivas, arrogantes, duras, destrutivas, insensíveis e rudes. O problema é delas, não seu. Seu problema é como reagir a elas. Uma senhora sábia disse, certa vez, que “ninguém pode fazê-lo sentir-se inferior sem que você o permita”. O mesmo se aplica a outras emoções negativas.
Não reajam. Não respondam. Não se enraiveçam. Mas, se o fizerem, dêem um tempo até que a raiva se dissipe – e só então sigam em frente com a sua vida. Não dêem aos outros a vitória sobre o seu próprio estado emocional. Perdoem – ou, se não conseguirem, ignorem. 

Rabi Sir Jonathan Sacks, escreveu suas reflexões como se fossem 10 cartas

A VIDA FÁCIL DOS BUROCRATAS DO HUMANISMO

Não conheço pessoalmente o jornalista Guilherme Fiuza, só de texto. Já concordei muitas vezes com o que escreveu e discordei outras tantas. Inegável é que tem um texto de primeira linha. Saber escrever deveria ser uma obrigação dos jornalistas. Mas quê… O que há de analfabeto de bom coração na profissão é uma coisa espantosa! Os dias andam tão miseráveis que basta o sujeito não meter uma vírgula alcoviteira entre o sujeito e seu verbo, e eu já estou dando “Bom Dia!”, já chamo de meu semelhante, independentemente do que pense. Aliás, costumo prezar a inteligência do outro, não a concordância com o meu ponto de vista. Sou tolerante. Mas sigamos.
Num excelente texto, para não variar, Fiuza escreve sobre o caso  Bolsonaro em sua coluna quinzenal na “Época”. Os petralhas, inclusive os da sua revista, deixem o homem em paz! A gente não é amigo, a gente não conspira, a gente não passa as madrugadas tentando depor o governo popular, a gente nem se conhece. Segue o seu texto, intitulado “Bolsonaro e o fuzilamento da direita”, o melhor que se escreveu sobre o assunto até agora.
*
NO BRASIL DE HOJE, COMO SE SABE, NINGUÉM é de direita. Ou melhor: a direita existe, mas é uma espécie de sujeito oculto, que só aparece para justificar os heróicos discursos da esquerda - eterna vítima dela. Lula governou oito anos, promoveu seus companheiros aos mais altos cargos e salários estatais, fez sua sucessora, e a esquerda continua oprimida pela elite burguesa. É de dar pena. Nessa doce ditadura dos coitados, é preciso cuidado com o que se fala. Os coitados são muito suscetíveis. Foi assim que o deputado federal Jair Bolsonaro foi parar no paredão.
Bolsonaro é filiado ao Partido Progressista, mas é uma espécie de reacionário assumido. Defende abertamente as bandeiras da direita - que, como dito acima, não existem mais. Portanto, Bolsonaro não existe. Mas fala -  e esse é seu grande crime. Depois da polêmica entrevista do deputado ao CQC, da TV Bandeirantes, o líder do programa, Marcelo Tas, recebeu e-mails de telespectadores revoltados. Parte deles protestava contra o próprio Tas, por ter dado voz a Jair Bolsonaro. Na Constituição dos politicamente corretos - assim como nas militares -, liberdade de expressão tem limite.
A grande barbaridade dita por Bolsonaro no CQC, em resposta à cantora Preta Gil, foi que um filho seu não se casaria com uma negra, por não ser promíscuo. Uma declaração tão absurda que o próprio Marcelo Tas cogitou, em seguida, que o deputado não tivesse entendido a pergunta. Foi exatamente o que Bolsonaro afirmou no dia seguinte. Estava falando sobre homossexualismo e não percebeu que a questão era sobre racismo: “A resposta não bate com a pergunta”, disse o deputado.
Se Jair Bolsonaro é ou não é racista, não é essa polêmica que vai esclarecer. No CQC, pelo menos, ele não disparou deliberadamente contra os negros. Estava falando de promiscuidade, porque seu alvo era o homossexualismo. O conceito do deputado sobre os gays é, como a maioria de seus conceitos, reacionário. A pergunta é: por que ele não tem o direito de expressá-lo?
Bolsonaro nem sequer pregou a intolerância aos gays. Disse inclusive que eles são respeitados nas Forças Armadas. O que fez foi relacionar o homossexualismo aos “maus costumes”, dizendo que filhos com “boa educação” não se tornam gays. É um ponto de vista preconceituoso, além de tacanho, mas é o que ele pensa. Seria saudável que os gays, com seu humor crítico e habitualmente ferino, fossem proibidos de fustigar a truculência dos militares? A entrevista também passou pelo tema das cotas raciais. Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.
É a resposta de um reacionário, um dinossauro da direita, prescrito pelas modernas ideologias progressistas e abominado por sua lealdade ao regime militar. Mas é uma boa resposta. E agora? Agora o Brasil bonzinho vai fazer o de sempre: passar ao largo do debate e choramingar contra a direita. Eis um caminho de risco zero. Processar Bolsonaro, o vilão de plantão, é vida fácil para os burocratas do humanismo. No reinado do filho do Brasil, até o nosso Delúbio, com a boca na botija do mensalão, gritou que aquilo era uma conspiração da direita contra o governo popular. O filão é inesgotável.
Cutucar o conservadorismo destrambelhado de Bolsonaro é atração garantida. Mas censurá-lo em seguida não fica bem. Parece até coisa dos antepassados políticos dele. A metralhadora giratória do capitão dispara absurdos, mas não está calibrada para fazer média com as minorias - e isso é raro hoje em dia. De mais a mais, se manifestantes negros podem tentar barrar um bloco carnavalesco que homenageia Monteiro Lobato, por que um deputado de direita não pode ser contra o orgulho gay e as cotas raciais? Vai ver o preconceito também virou monopólio da esquerda.
Por Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Entrevista com um ex-muezim



Azzad* é curdo, nascido na Turquia, e vive na Alemanha. Desde que se converteu
a Cristo ele prega o Evangelho na Alemanha e em sua pátria.

Norbert Lieth: Antes de sua conversão a Jesus Cristo você era um muezim muçulmano. Quais são as funções de um muezim?
Azzad: Muezim é uma palavra árabe que designa a pessoa que, a partir dos minaretes (torres) das mesquitas, cinco vezes ao dia, anuncia em alta voz a hora das preces. Ele também celebra casamentos e todos os rituais da religião islâmica. É, por assim dizer, o pastor e conselheiro espiritual de sua comunidade religiosa.
– Quando e como você encontrou Jesus?
– Lendo o Novo Testamento, que antes odiava; eu estava convicto de que os malvados cristãos o haviam falsificado. Quando fui preso na Alemanha por assalto a mão armada, comecei a orar pedindo a Deus que me mostrasse o caminho até Ele. Aí ganhei um Novo Testamento de presente e passei a lê-lo. Através dele reconheci que sou pecador e que Jesus Cristo morreu pelos meus pecados. No dia 9 de novembro de 1987 dobrei meus joelhos diante de Jesus aceitando-O como meu Salvador e Senhor.
Antes disso, para mim Alá já tinha-se tornado um Deus cruel por duas razões:
Os muçulmanos fazem suas preces a Alá cinco vezes por dia.

1. Comecei a cumprir minhas obrigações de muçulmano com sete anos de idade, prostrando-me diante de Alá cinco vezes ao dia, num total de trinta e cinco vezes por semana. Porém, em algum momento cheguei à frustrante conclusão de que através desses exercícios religiosos eu não obtinha certeza da salvação e que meu destino era o inferno. Essa é uma doutrina do Corão: "Perante o Senhor está definitivamente estabelecido que não há ninguém, entre vós pessoas ou demônios, que não vá ao inferno e que, caso Alá queira, ele o tirará de lá." Fiquei decepcionado com o islã.
2. Além disso, comecei a achar que Alá, chamado de criador, era cruel por ordenar que se mate as pessoas que pensam ou crêem de forma diferente do islã. A sura 9, verso 29, traz a ordem de guerra contra judeus e cristãos: "Dos adeptos do Livro, combatei os que não crêem em Deus [Alá] nem no último dia e não proíbem o que Deus [Alá] e Seu Mensageiro proibiram e não seguem a verdadeira religião – até que paguem, humilhados, o tributo". De repente passei a me sentir mais bondoso que o próprio Alá. Já não podia participar dessas coisas. Deixei minha função de muezim e parti em busca do Deus vivo. Só existe uma única maneira de um muçulmano ter certeza da salvação: dar ouvidos às brutais ordens do Corão, matando pessoas para Alá.
– O que você considera sua tarefa na edificação do Reino de Deus?
– Meu povo [os curdos] foi muito negligenciado no que diz respeito à divulgação do Evangelho. Por isso, meu ministério é falar do amor de Deus aos meus compatriotas turcos e ao meu povo, tão subjugado pelo islã. Faço isso apesar das ameaças de morte que recebo, pois o amor de Deus derramado em nossos corações é muito mais forte – e o amor de Cristo me constrange (veja 2 Co 5.14). Mais um aspecto de meu trabalho para o Senhor consiste em esclarecer as pessoas, principalmente os cristãos da Europa, sobre o que realmente é o islã. Outra coisa que considero importante é visitar os presídios, ou seja, ir ao lugar onde eu mesmo encontrei a Jesus, trabalhando voluntariamente junto aos presos, aconselhando e falando do Evangelho de Jesus para eles. Mas minha tarefa maior e mais significativa é a tradução da Bíblia para a língua curda. Já trabalho nesse projeto há bastante tempo e, graças ao Senhor, em breve ele estará concluído.
– Conte-nos um pouco mais sobre essa tradução.
– Eu e meu amigo Haran, que pela misericórdia de Deus, através da leitura da Bíblia, também reconheceu que Jesus é seu Senhor e Salvador pessoal, começamos com a tradução há catorze anos. Antes de se converter, ele havia lido a Bíblia durante doze anos. Deus fez de nós dois uma equipe muito unida. Ele é um escritor reconhecido, e se o Senhor permitir, em 2004 teremos em mãos toda a Bíblia na língua curda. Agora estamos finalizando as notas de rodapé, com que me ocupo diversas horas por dia.
– Você encontra empecilhos em seu trabalho ou recebe ameaças?
– Sim, de maneira maciça. A última foi há dois dias atrás. Eu estava evangelizando em Detmold (na Alemanha), quando alguns compatriotas chegaram perto de mim e disseram: "Nós vamos atirar em você!" Mas para os irmãos alemães que estavam comigo e não entendem turco eles disseram: "Vocês são muito queridos, Jesus mora nos seus corações". Em nossa língua eles continuaram me dizendo: "Você é mentiroso. Você ofendeu nossa religião e nosso profeta. Nós vamos matar você!" Tenho recebido inúmeras cartas com ameaças de morte, que apresentei à polícia. Mas ela não me ajuda, pois parece que agirá apenas quando eu tiver sido morto.
– Na sua opinião, qual a diferença fundamental entre a Bíblia e o Corão?
– A Bíblia é claramente a Palavra de Deus. Através da Bíblia, Deus me mostra o meu próprio coração, o plano de salvação para Seu povo terreno, Israel, e para as demais nações. A Bíblia mostra claramente que sou um pecador perdido. Mas ela também revela o Salvador, que me livra dos pecados, e através da Bíblia também recebo certeza de salvação. Essa é a grande diferença entre a Bíblia e o Corão. Na Primeira Epístola a João está escrito, por exemplo: "Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus" (1 Jo 5.13). Mas o Corão diz na sura 66, verso 8: "" vós que credes, pedi o perdão de Deus [Alá] com sinceridade. Talvez absolva os vossos pecados e vos introduza nos jardins onde correm os rios num dia em que Deus [Alá] poupará a humilhação ao Profeta e aos que crêem com ele..." Na Bíblia, porém, está escrito: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1.9).
– Qual a situação atual dos cristãos na Turquia?
– Desde a proclamação da república turca, existe liberdade religiosa no papel, mas na prática a situação é bem diferente. Voltei da Turquia há duas semanas. Enquanto estive lá, a polícia civil seguiu todos os meus passos. Depois que eu tinha partido, eles perguntaram a meus irmãos que vivem lá: "O que ele veio fazer aqui? O que ele contou para vocês?" Na Turquia, os cristãos vivem sob intensa pressão, mesmo que as aparências sejam de convivência pacífica e de liberdade religiosa.
– Você contou que é de descendência curda. Qual a sua avaliação da situação dos curdos na Turquia?
Na Turquia, quando os curdos publicam alguma coisa em sua língua, sofrem sanções e penalidades. O que isso significa? Trata-se de uma violação dos direitos humanos, dos mandamentos de Deus, de uma barbaridade.

– Acho que não existe outro povo no mundo que compartilhe do destino dos curdos, pois trata-se de um povo de 40 milhões de pessoas que não pode falar a própria língua. Na Turquia, quando os curdos publicam alguma coisa em sua língua, sofrem sanções e penalidades. O que isso significa? Trata-se de uma violação dos direitos humanos, dos mandamentos de Deus, de uma barbaridade. Mas, apesar disso, amo os turcos porque o amor de Deus foi derramado em meu coração através do Espírito Santo (veja Rm 5.5). Antigamente, eu os odiava. Agora, desde que sou cristão, oro todos os dias pela Turquia.
– É certo dizer que os curdos descendem dos medos?
– Não, certamente não. Tenho certeza de que os curdos pertencem às duas e meia tribos de Israel (Rúben, Gade e a meia tribo de Manassés) que permaneceram na margem oriental do Jordão. Essas também foram as primeiras tribos de Israel levadas para o cativeiro. Eu me considero integrante do povo de Israel. Segundo a carne, sou e continuarei sendo um filho de Abraão.
– Qual o tratamento dispensado a Israel pelos políticos e meios de comunicação turcos?
– É um tratamento bastante bom. A Turquia e Israel são amigos em nível governamental. Eles cooperam mutuamente, por exemplo, na área militar. Mas na população existe um grande ódio contra Israel.
– Como muçulmano praticante, qual era sua postura em relação a Israel? E como cristão, o que você pensa do judaísmo?
– Naquela época eu odiava os israelenses e judeus, sem jamais haver conhecido pessoalmente um único judeu sequer. Naturalmente isso vinha do veneno que o islã havia instilado dentro de mim. Na Bíblia, porém, está escrito: "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (Jo 8.36). Quando comecei a crer e a entender, pela Palavra de Deus, que Israel é o povo terreno de Deus, arrependi-me e pedi perdão pelo ódio que eu nutria. Hoje não passa um dia sem que eu ore por Israel e pela paz de Jerusalém, e sem que eu abençoe o povo judeu em nome de Jesus.
Quando ainda estava aprisionado pelo islã, sem esperança e sem certeza da minha salvação, mesmo sendo religioso mas padecendo sob o jugo do pecado, às vezes era meu desejo realizar um atentado suicida em Israel. Eu era impelido por Satanás a dar um fim à minha vida e a levar comigo na morte algumas pessoas do povo que Deus ama. Quando estava na prisão, esses pensamentos continuaram me atormentando. Mas o Senhor me protegeu. Louvado seja Seu nome!
– Como você vê a evangelização de estrangeiros que vivem na Europa? Eles são alcançados com o Evangelho? O que poderia ser feito de maneira diferente ou melhor? Qual deveria ser a ênfase na hora de falar de Jesus para eles?
– Penso que essa é uma área negligenciada. Desde minha conversão, evangelizo os estrangeiros que vivem na Alemanha. Muitos estão à procura de Deus, do sentido da vida. É obrigação nossa, dos cristãos, amá-los e demonstrar a eles, através da nossa vida, que Jesus é nosso Senhor. Devemos ser amáveis, mas também é preciso que tenhamos a coragem de convidá-los a ouvir a mensagem. Na Europa existem muitos muçulmanos abertos ao Evangelho. É muito importante não falar com eles como se fôssemos superiores. Ao invés de levantarmos barreiras, deveríamos tentar construir pontes entre eles e o Senhor. Deveríamos evitar dizer, logo de início, que Jesus é Deus. É mais importante falar primeiro do pecado, da queda do homem, e então conduzi-los à conversão. Não podemos explicar para um cego como é a cor vermelha. Primeiro, ele precisa ter seus olhos abertos. Só então ele poderá reconhecer quem é Jesus. Todo o restante virá automaticamente.
– Você tem mais alguma dica para ganhar um muçulmano para Cristo?
– Muitas vezes os muçulmanos me disseram: "Os cristãos falam contra nós". Em outras palavras, quando pregamos o Evangelho, eles logo pensam que somos contra eles. Mas os muçulmanos reconhecem que nós, cristãos, temos algo que eles não têm, a certeza da salvação. Eu tenho a mais absoluta certeza de que Jesus Cristo veio "buscar e salvar o perdido" (Lc 19.10). Quando nos aproximamos dos muçulmanos com essa mensagem maravilhosa, cheia de esperança, eles vêem e sentem isso. Porém, se mesmo assim me amaldiçoam, eu os abençôo. Oro por eles, choro por eles e choro com eles. Eles o percebem e me dizem: "Nós não conseguimos agir assim!" Quando nos aproximamos deles com coração ardente, movido pelo amor de Cristo, eles reconhecem que temos o que lhes falta.
– O que você pensa sobre o nosso tempo – levando em consideração a profecia bíblica? Você acha que estamos vivendo nos tempos finais (antes do Arrebatamento e da volta de Cristo)?
– Sim. Desde 1948 Deus voltou a reunir Seu povo, exatamente como diz Sua Palavra. Para mim, esse é o primeiro sinal de que Jesus virá em breve. Outro sinal são os acontecimentos atuais e a falta de amor entre os cristãos. Em Seu sermão profético, o Senhor disse que "...o amor se esfriará de quase todos" (Mt 24.12). Se alguém não consegue ver que tudo isso está acontecendo, é cego. O amor entre nós cristãos é muito importante; infelizmente, há essa falta de amor até entre verdadeiros cristãos. Se meu fundamento não fosse a Palavra de Deus, certamente eu já teria me afastado deles. Mas isso também é profético, pois o Senhor Jesus afirmou: "quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?" (Lc 18.8). Estou convicto de que estamos vivendo nos últimos dias.
– Nós lhe agradecemos muito por essa conversa e desejamos-lhe as mais ricas bênçãos de Deus.
– Eu também agradeço e lhes digo: "Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão" (1 Co 15.57-58). E mais: "Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam" (Is 40.29-31). (http://www.chamada.com.br)
* O nome foi alterado por questões de segurança.
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, junho de 2003.

O que Significa Acreditar em Deus?

Um  Texto, Maravilhoso extraído do Beit Chabad! Nos leva a refletir, sobre nossas ações e comportamentos, e estudar ainda mais as escrituras. Simplesmente emocionante.


Por Manis Friedman

Até o ateu mais sincero concordará que uma primeira causa, um ser original, deve ter precedido o universo. Essa causa ou fonte original é aquilo que tanto humilhava Einstein, embora ele a descrevesse incorretamented como uma experiência religiosa. As questões da fé começam em como entendemos essa Primeira Causa, sua natureza, e seu relacionamento conosco e com o universo.

A declaração: “Eu creio que existe um D'us” não tem sentido. Fé não é a capacidade de imaginar aquilo que não existe. Fé é encontrar relevância naquilo que é transcendente. Acreditar em D'us, então, não significa que você é da opinião de que Ele existe, mas sim que você encontrou relevância Nele. Quando uma pessoa diz “Eu acredito em D’us, o que realmente quer dizer é “D'us é importante na minha vida.”


Ao disuctir nosso realcionamento com D'us, a pergunta que primeiro devemos fazer é: Quem se importa? De que maneira Ele é relevante?


Em consideração da existência da alma, podemos presumir que não temos de convencer as pessoas do Divino propósito da vida; podemos apenas levá-las a ao cumprimento de uma mitsvá...
Para algumas pessoas, D'us é relevante porque elas estão preocupadas com as origens da existência. Para outras, D'us é relevante porque elas estão preocupadas com a outra vida, e fé é um pré-requisito para ir para o céu. Finalmente, para outras, D'us é relevante porque elas acreditam que a vida tem um propósito.

No Judaísmo, particularmente no Chassidismo, o interesse em D'us vem da convicção de que a vida tem significado. A questão recorrente na filosofia chassídica é: Por que uma alma é enviada ao mundo para sofrer num corpo físico durante 80, 90 anos? Sabemos que há um propósito, que D'us é o autor daquele propósito, e desejamos saber e entender isso.


O Chassidismo Chabad ensina que a mente é a capacidade da alma de detectar a lógica, o coração é a capacidade da alma de reagir negativamente ou positivamente. As respectivas funções da mente, coração e alma com frequência são confundidas.


Aquele que vive exclusivamente pelo coração, confia apenas naquilo que sente. Quem vive exclusivamente pela mente, confia apenas naquilo que faz sentido. Porém nenhum desses diz a verdade a você. A mente exige que a lógica seja confiada, o coração exige que as emoções sejam confiadas. Porém ambos podem estar enganados. Eles não revelam a verdade inerente. Para isso, nos voltamos para a alma, a neshamá. Porque a alma é parte do Divino – e isso é verdade, é a essência. Quando temos fé, quando encontramos relevância em D'us, estamos confiando naquele instinto na alma que nos diz que D'us é o propósito da vida.


Em termos pragmáticos, a mente, o coração e a alma devem cada qual cumprir sua função: quando sabemos tudo que pode ser sabido, quando chegamos à beira do conhecimento e a própria lógica nos diz que atingimos seus limites exteriores e ela não pode ir além desse ponto, aí entra a fé. Onde a mente não é mais adequada, a alma reage à verdade. Isso é fé.


As halachot são os detalhes; a Cabalá lê entre as linhas.
Esta fé, essa reação da alma, é necessária no cumprimento daquela categoria de mitsvot conhecida como chukim, leis supra-racionais, leis que não se alinham com a razão.

Se alguém tem dificuldades com esses mandamentos em particular, isso é uma indicação de que eles podem estar confiando na mente e no coração às custas da própria capacidade de reagir à verdade – a expressão de sua alma. Quando um judeu cumpre uma mitsvá antes de tê-la intelectualizado totalmente, está permitindo que sua neshamá reaja à verdade.


Esta é uma habilidade que muitas vezes precisa ser cultivada. O sexto Rebe de Lubavitch, Rabi Yosef Yitschak Schneersohn (1880-1959), relata em suas memórias que quando criança, certa vez pediu ao pai que lhe explicasse por que seguimos um costume em particular de recitar Modê Ani ao acordar pela manhã. Em vez de dar a resposta, o pai do Rebe levou-o até um judeu idoso e simples, a quem perguntou: “Por que você diz Modê Ani dessa maneira em particular?”


Ao que o homem respondeu: “Porque foi assim que meu pai me ensinou a fazer.” O pai do Rebe poderia ter facilmente lhe dado o motivo racional para o costume, mas viu isso como uma chance de exercitar sua capacidade de responder com fé.


É por isso que em Chabad-Lubavitch essa é nossa abordagem para convidar um judeu – até mesmo aquele que alega não acreditar – a cumprir uma mitsvá, antes de engajá-lo numa discussão sobre a fé. Porque em consideração da existência da alma, podemos presumir que não temos de convencer as pessoas do Divino propósito da vida. Temos apenas de levá-las a começar, e a cada mitsvá que cumprem, sua neshama se afirma cada vez mais, e as questões se tornam resolvidas por si mesmas. A título de analogia, se o instinto maternal de uma mulher parece estar ausente, você não discute a filosofia da maternidade com ela. Apenas coloca um bebê em seu colo e sua reação maternal vai emergir.


A relevância que encontramos Nele vai diferir de pessoa para pessoa. Como Ele é tudo, as pessoas sentirão D'us de todas as maneiras possíveis. Ele é o D'us de Avraham e Yitschac, da Benevolência e Poder. E também é verdade, como D'us diz, “Eu sou conhecido de acordo com os meus atos.” Alguns O conhecerão como um D'us que recompensa, outros como um D'us que castiga, que provê, que salva, que ilumina, que inspira, e assim por diante.


No princípio, D'us Se revelou como criador, mestre, rei – todos papéis muito impessoais. Na Halachá (lei da Torá) D'us revela Suas leis, mas não permite que Seus “sentimentos pessoais” apareçam. Mais tarde, na Cabalá, D'us Se torna vulnerável; Ele compartilha detalhes íntimos. Ele é humanizado num relacionamento de duas mãos. Portanto o halachista tem grande respeito pela sabedoria dos mandamentos, ao passo que o místico vê D'us como aceitando pessoalmente as mitsvot. Quando D'us diz: “Não corte árvores frutíferas”, se fôssemos sensíveis não apenas ouviríamos um mandamento, como veríamos algo sobre D'us. A Cabalá revela este algo. As halachot são os detalhes; a Cabalá lê entre as linhas.


A Cabalá nos dá uma perspectiva bastante diferente sobre o comportamento “antropomórfico” de D'us. Lembra-nos que a Torá vem para nos ensinar sobre D'us, e que expressões como “D'us falou”, “A mão de D'us”, a “ira de D'us” precisam ser consideradas sob a perspectiva da Torá ou de D'us. Não somos o ponto de referência para o comportamento de D'us; D'us deveria servir como uma referência para o nosso comportamento. Ele criou o mundo. Fala, mão, ira, inveja – estas são todas Suas criações, são todas direitos Divinos. Nossa fala, nossa ira, nossa inveja – estas são apenas metáforas para a coisa real, não o contrário. Quando lemos que “D'us ergue Sua mão” e abre o mar, precisamos medir nossa própria mão contra isso, Quando a erguemos, o que acontece? Nada. Aprendemos então que não somos tão poderosos quanto D'us. Quando lemos que D'us fica irado e castiga porque Ele criou um mundo com um propósito Divino, e aquele propósito é frustrado, deveríamos medir nossa própria ira contra isso. O que criamos? Nada. Não podemos, portanto, ficar furiosos e castigar como D'us faz.


Considerando a ira de D'us e outros atributos dessa maneira nos leva a um humilde reconhecimento. Somente quando nossa raiva ou inveja é uma expressão de indignação moral é que reflete as verdadeiras e Divinas qualidades. Somente então podemos exercitar essas expressões. Qualquer que seja a verdade que há em nós, é a extensão na qual incorporamos aquilo que Ele nos diz sobre Si Mesmo.