Um corrente Plantador almejando um dia arrancar o muito que que plantou. "Salomão"
terça-feira, 14 de junho de 2011
Arte do impossível DORA KRAMER
ESTADÃO - 14/06/11
É claro que a nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pode surpreender.
É uma hipótese remota, mas não é impossível que ela se saia bem na função de administrar apetites, humores e armadilhas de uma base parlamentar ampla, abrigo do maior ninho de cobras criadas da República.
A tarefa inicial é dura: desfazer a primeira impressão de que a presidente Dilma Rousseff só quis afirmar autoridade e confrontar os aliados, escolhendo uma colecionadora de arestas.
Não por outro motivo a não ser a aposta de que não há o menor risco de dar certo, Ideli recebeu elogios da oposição.
Os adversários e os aliados em estado de beligerância querem mesmo é ver o circo pegar fogo na articulação política.
Aqueles por dever de ofício e estes para que mais à frente a presidente se renda à necessidade de seus préstimos.
A eles Ideli precisará se mostrar bem melhor que a encomenda: conquistar confiança, confirmar influência junto a Dilma e desenvolver capacidade de fazer valer o combinado.
Seja no tocante aos atendimentos materiais, seja no tocante aos acordos de procedimentos no Congresso.
No PT caberá a Ideli conduzir a pacificação com sutileza para deixar que o ex-presidente Lula dê cabo da missão (coisa que só ele pode fazer, pois só ele tem a influência necessária sobre o partido) sem dar a impressão de que Dilma está sendo tutelada.
Sutileza não é exatamente o atributo preponderante na personalidade da ministra, como se percebe no esforço de fazer frases para obter um efeito, sempre se referindo à disposição de ser afável, de ouvir, conversar e não repetir o erro da conformação centralizadora do breve período Palocci.
Por ora, louve-se o empenho de Ideli Salvatti para desfazer a má impressão, mas note-se também um quê de artificialismo, cuja resultante é contraproducente.
Dizer que vai fazer "uma operação limpa prateleira, coisa de mulher", não agrada nem às mulheres hoje menos interessadas em ser reconhecidas por méritos domésticos, nem a parlamentares que podem não gostar de ver seus pleitos, ou eles mesmos, comparados a mercadorias em estoque nas prateleiras do Planalto.
Se Luiz Sérgio, como disse, fez mesmo o possível, restará a Ideli fazer frente ao impossível.
Intérpretes
A carta derramada em elogios que a presidente Dilma Rousseff enviou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso suscitou as mais diversas especulações entre os tucanos que se reuniram no último fim de semana em São Paulo para duas das várias celebrações pelos 80 anos de FH.
Houve quem visse nos termos intenções estratégicas de aproximação; houve quem enxergasse a vontade de marcar diferença em relação a Lula, sempre belicoso em relação a Fernando Henrique; houve quem interpretasse como um gesto de gentileza sem conteúdo político.
Fernando Henrique não deu interpretação política ao texto, mas também acha que a presidente foi bem além da mera formalidade. "Fique bastante sensibilizado", disse.
Autoria
Segundo informações do Palácio do Planalto, houve gentileza, mas houve política também na carta que Dilma mandou a Fernando Henrique.
Nada a ver com Lula, mas tudo a ver com a intenção de transmitir uma disposição à distensão de ânimos.
Ela sabe que não "segura" um ambiente de conflito permanente como fazia o antecessor.
A primeira versão da carta foi escrita por Antonio Palocci, obviamente antes do desfecho da crise que resultou na saída dele do governo.
Depois disso o texto foi refeito algumas vezes a várias mãos por ministros e assessores palacianos.
No embalo
José Dirceu ofereceu e a revista Interesse Nacional aceitou publicar um artigo dele, cuja intenção é servir de contraponto ao polêmico texto de Fernando Henrique sobre o papel da oposição no Brasil.
O título do artigo é "O papel do PT no Brasil" e sai na edição de julho.
Posted by ARTIGOS at 10:26 AM
É claro que a nova ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pode surpreender.
É uma hipótese remota, mas não é impossível que ela se saia bem na função de administrar apetites, humores e armadilhas de uma base parlamentar ampla, abrigo do maior ninho de cobras criadas da República.
A tarefa inicial é dura: desfazer a primeira impressão de que a presidente Dilma Rousseff só quis afirmar autoridade e confrontar os aliados, escolhendo uma colecionadora de arestas.
Não por outro motivo a não ser a aposta de que não há o menor risco de dar certo, Ideli recebeu elogios da oposição.
Os adversários e os aliados em estado de beligerância querem mesmo é ver o circo pegar fogo na articulação política.
Aqueles por dever de ofício e estes para que mais à frente a presidente se renda à necessidade de seus préstimos.
A eles Ideli precisará se mostrar bem melhor que a encomenda: conquistar confiança, confirmar influência junto a Dilma e desenvolver capacidade de fazer valer o combinado.
Seja no tocante aos atendimentos materiais, seja no tocante aos acordos de procedimentos no Congresso.
No PT caberá a Ideli conduzir a pacificação com sutileza para deixar que o ex-presidente Lula dê cabo da missão (coisa que só ele pode fazer, pois só ele tem a influência necessária sobre o partido) sem dar a impressão de que Dilma está sendo tutelada.
Sutileza não é exatamente o atributo preponderante na personalidade da ministra, como se percebe no esforço de fazer frases para obter um efeito, sempre se referindo à disposição de ser afável, de ouvir, conversar e não repetir o erro da conformação centralizadora do breve período Palocci.
Por ora, louve-se o empenho de Ideli Salvatti para desfazer a má impressão, mas note-se também um quê de artificialismo, cuja resultante é contraproducente.
Dizer que vai fazer "uma operação limpa prateleira, coisa de mulher", não agrada nem às mulheres hoje menos interessadas em ser reconhecidas por méritos domésticos, nem a parlamentares que podem não gostar de ver seus pleitos, ou eles mesmos, comparados a mercadorias em estoque nas prateleiras do Planalto.
Se Luiz Sérgio, como disse, fez mesmo o possível, restará a Ideli fazer frente ao impossível.
Intérpretes
A carta derramada em elogios que a presidente Dilma Rousseff enviou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso suscitou as mais diversas especulações entre os tucanos que se reuniram no último fim de semana em São Paulo para duas das várias celebrações pelos 80 anos de FH.
Houve quem visse nos termos intenções estratégicas de aproximação; houve quem enxergasse a vontade de marcar diferença em relação a Lula, sempre belicoso em relação a Fernando Henrique; houve quem interpretasse como um gesto de gentileza sem conteúdo político.
Fernando Henrique não deu interpretação política ao texto, mas também acha que a presidente foi bem além da mera formalidade. "Fique bastante sensibilizado", disse.
Autoria
Segundo informações do Palácio do Planalto, houve gentileza, mas houve política também na carta que Dilma mandou a Fernando Henrique.
Nada a ver com Lula, mas tudo a ver com a intenção de transmitir uma disposição à distensão de ânimos.
Ela sabe que não "segura" um ambiente de conflito permanente como fazia o antecessor.
A primeira versão da carta foi escrita por Antonio Palocci, obviamente antes do desfecho da crise que resultou na saída dele do governo.
Depois disso o texto foi refeito algumas vezes a várias mãos por ministros e assessores palacianos.
No embalo
José Dirceu ofereceu e a revista Interesse Nacional aceitou publicar um artigo dele, cuja intenção é servir de contraponto ao polêmico texto de Fernando Henrique sobre o papel da oposição no Brasil.
O título do artigo é "O papel do PT no Brasil" e sai na edição de julho.
Posted by ARTIGOS at 10:26 AM
Portão 13 - MIRIAM LEITÃO
O Globo
O piloto se desesperou: "Senhores passageiros, já falei com Deus e todo mundo, e ninguém sabe a que horas vamos decolar. Não sei mais o que dizer aos senhores." Foi um dos momentos inusitados da confusão aérea do sábado. Não era culpa da nuvem vulcânica, empurrada por ventos para o oceano. Era apenas um nevoeiro normal em São Paulo que fechou Congonhas por algumas horas.
Qualquer aeroporto do mundo pode fechar por algumas horas. A confusão que vi em Congonhas era desproporcional ao tamanho do atraso. O que detona um caos como aquele?
- Primeiro, faltam no controle aéreo brasileiro programas mais modernos e inteligentes de aproximação, pouso e decolagem. Se os programas não fossem tão velhos, as aeronaves poderiam pousar apesar das condições meteorológicas. O Brasil precisa comprar tecnologia de ponta de sinalização de torre de controle. Segundo, precisa haver melhor gestão de atendimento em terra; melhor sistema de informação. Imagina um gringo perdido com aquele som péssimo e ninguém para informar? Ele perde o voo - diz Paulo Fernando Fleury, do Instituto Ilos.
Fleury, especialista em logística, já perdeu voo dentro de aeroporto por causa das costumeiras trocas de portão.
Uma menina de menos de 10 anos passa por mim apressada.
- Mãe, nosso voo passou para o piso inferior. O piso inferior, mãe! - diz, já ligada, como se fosse adulta.
Mais de duas da tarde do sábado, meu voo tinha sido cancelado, eu estava sentada perto do portão de um voo que teria que ter saído às 12h20m. No portão estava escrito "embarque próximo". E assim ficou o aviso, subvertendo o sentido da palavra "próximo" por uma hora. Depois, piorou; o nome Rio de Janeiro sumiu e apareceu a palavra Ilhéus. Não era possível trabalhar, porque todo mundo tinha que seguir o comportamento da menina e ficar ligado em tudo, tentando ouvir o ruído do som no meio do burburinho.
Tinha chegado ao aeroporto de Joinville pouco depois das 7h. Não havia nevoeiro em Joinville. Nem avião. O pátio, inteiramente vazio. Congonhas, fechado; o avião não tinha decolado, portanto, não tinha pousado e não decolaria. Por enquanto.
- Esse é um dos problemas. O Brasil organizou-se no sistema de Hub. Alguns aeroportos originam todos os voos ou são escalas obrigatórias, como Congonhas. O problema é que se houvesse uma tecnologia moderna de pouso e decolagem eles fechariam com menos frequência e isso evitaria problemas que ocorrem em sequência - explica Fleury.
A certa altura, as malas e a escada foram levadas para a pista de pouso. Nada da aeronave. Quando, afinal, decolou rumo a São Paulo, parecia que apenas uma parte da manhã estava perdida, mas o pior estava por vir. O avião não conseguia pousar pelo engarrafamento do trânsito aéreo. Isso acontece com frequência. Os aviões ficam esperando a hora de entrar na fila de pouso. Depois que pousou, foi o tempo de esperar a escada e o ônibus em Congonhas. No caminho até o terminal, a pista engarrafou de ônibus e tratores que puxam escadas. Era o caso de um semáforo. Houve um momento em que um trator atravessou o caminho do meu ônibus. O motorista parou em tempo, felizmente.
O saguão parecia uma praça de guerra, com monte de gente andando em todas as direções, ninguém para dar informação. Vi uma tripulação perdida e a acompanhei com os olhos, curiosa. De repente, alguém de dentro do portão grita:
- Oi gente, é por aqui, por aqui!
As informações eram dadas pelos passageiros:
- O avião já pousou, mas não se sabe o aeroporto.
O especialista no tema Respício do Espírito Santo conta que uma resolução baixada recentemente proíbe que um voo de Congonhas pouse em Guarulhos:
- Por isso, se Congonhas tem problema, o voo tem que ir para Viracopos, que também fecha muito, então tem que ir para Ribeirão Preto ou outro aeroporto. Pior que esperar é ir para outro local. Quanto custa para quem passa horas no aeroporto? Quanto custa em termos de estresse do controlador de voo, da tripulação? Quanto custa para a empresa aérea?
Quando o nome Rio de Janeiro sumiu do letreiro do portão e apareceu Ilhéus, decidi ir ao painel central. Lá, encontrei duas pessoas com o uniforme da companhia pela qual eu voaria. Estávamos com a mesma cara de desalento e descobrimos juntos que na frente do nosso voo estava escrito "procurar a companhia".
- Como procuro a companhia?
- Nós somos da companhia.
- Percebi pelo crachá, mas não queria constrange-los. Onde posso buscar informação?
Eles apontaram o dedo para o tumulto lá adiante em torno de um balcão.
Impossível chegar perto, ouvir qualquer orientação. Eram camadas de pessoas nervosas. Fiquei lá à deriva, até que ouvi o grito de um dos tripulantes que tinha encontrado no painel:
- Míriam, é no portão 13, corre, corre.
Era meu dia de sorte. Consegui chegar no Rio às 17h30m, dez horas e meia depois de entrar no primeiro aeroporto.
Qualquer aeroporto do mundo pode fechar por algumas horas. A confusão que vi em Congonhas era desproporcional ao tamanho do atraso. O que detona um caos como aquele?
- Primeiro, faltam no controle aéreo brasileiro programas mais modernos e inteligentes de aproximação, pouso e decolagem. Se os programas não fossem tão velhos, as aeronaves poderiam pousar apesar das condições meteorológicas. O Brasil precisa comprar tecnologia de ponta de sinalização de torre de controle. Segundo, precisa haver melhor gestão de atendimento em terra; melhor sistema de informação. Imagina um gringo perdido com aquele som péssimo e ninguém para informar? Ele perde o voo - diz Paulo Fernando Fleury, do Instituto Ilos.
Fleury, especialista em logística, já perdeu voo dentro de aeroporto por causa das costumeiras trocas de portão.
Uma menina de menos de 10 anos passa por mim apressada.
- Mãe, nosso voo passou para o piso inferior. O piso inferior, mãe! - diz, já ligada, como se fosse adulta.
Mais de duas da tarde do sábado, meu voo tinha sido cancelado, eu estava sentada perto do portão de um voo que teria que ter saído às 12h20m. No portão estava escrito "embarque próximo". E assim ficou o aviso, subvertendo o sentido da palavra "próximo" por uma hora. Depois, piorou; o nome Rio de Janeiro sumiu e apareceu a palavra Ilhéus. Não era possível trabalhar, porque todo mundo tinha que seguir o comportamento da menina e ficar ligado em tudo, tentando ouvir o ruído do som no meio do burburinho.
Tinha chegado ao aeroporto de Joinville pouco depois das 7h. Não havia nevoeiro em Joinville. Nem avião. O pátio, inteiramente vazio. Congonhas, fechado; o avião não tinha decolado, portanto, não tinha pousado e não decolaria. Por enquanto.
- Esse é um dos problemas. O Brasil organizou-se no sistema de Hub. Alguns aeroportos originam todos os voos ou são escalas obrigatórias, como Congonhas. O problema é que se houvesse uma tecnologia moderna de pouso e decolagem eles fechariam com menos frequência e isso evitaria problemas que ocorrem em sequência - explica Fleury.
A certa altura, as malas e a escada foram levadas para a pista de pouso. Nada da aeronave. Quando, afinal, decolou rumo a São Paulo, parecia que apenas uma parte da manhã estava perdida, mas o pior estava por vir. O avião não conseguia pousar pelo engarrafamento do trânsito aéreo. Isso acontece com frequência. Os aviões ficam esperando a hora de entrar na fila de pouso. Depois que pousou, foi o tempo de esperar a escada e o ônibus em Congonhas. No caminho até o terminal, a pista engarrafou de ônibus e tratores que puxam escadas. Era o caso de um semáforo. Houve um momento em que um trator atravessou o caminho do meu ônibus. O motorista parou em tempo, felizmente.
O saguão parecia uma praça de guerra, com monte de gente andando em todas as direções, ninguém para dar informação. Vi uma tripulação perdida e a acompanhei com os olhos, curiosa. De repente, alguém de dentro do portão grita:
- Oi gente, é por aqui, por aqui!
As informações eram dadas pelos passageiros:
- O avião já pousou, mas não se sabe o aeroporto.
O especialista no tema Respício do Espírito Santo conta que uma resolução baixada recentemente proíbe que um voo de Congonhas pouse em Guarulhos:
- Por isso, se Congonhas tem problema, o voo tem que ir para Viracopos, que também fecha muito, então tem que ir para Ribeirão Preto ou outro aeroporto. Pior que esperar é ir para outro local. Quanto custa para quem passa horas no aeroporto? Quanto custa em termos de estresse do controlador de voo, da tripulação? Quanto custa para a empresa aérea?
Quando o nome Rio de Janeiro sumiu do letreiro do portão e apareceu Ilhéus, decidi ir ao painel central. Lá, encontrei duas pessoas com o uniforme da companhia pela qual eu voaria. Estávamos com a mesma cara de desalento e descobrimos juntos que na frente do nosso voo estava escrito "procurar a companhia".
- Como procuro a companhia?
- Nós somos da companhia.
- Percebi pelo crachá, mas não queria constrange-los. Onde posso buscar informação?
Eles apontaram o dedo para o tumulto lá adiante em torno de um balcão.
Impossível chegar perto, ouvir qualquer orientação. Eram camadas de pessoas nervosas. Fiquei lá à deriva, até que ouvi o grito de um dos tripulantes que tinha encontrado no painel:
- Míriam, é no portão 13, corre, corre.
Era meu dia de sorte. Consegui chegar no Rio às 17h30m, dez horas e meia depois de entrar no primeiro aeroporto.
A bolha dos imóveis era bolha VINICIUS TORRES FREIRE
HAVIA UMA bolha no mercado imobiliário brasileiro. Ou melhor, havia o rumor de bolha, pelo menos até fevereiro, quando começaram a aparecer números que mostravam o arrefecimento das vendas de imóveis na cidade de São Paulo e números menos animados das vendas de material de construção.
No início de maio, notava-se aqui que o "indicador de sentimento" (conversas informais, apenas) dos empresários do setor era que a euforia havia passado. Pois passou mesmo. Saber o motivo da calmaria já é tarefa mais difícil.
Não temos dados estatisticamente confiáveis nem sobre preços de imóveis em São Paulo, por exemplo. Inexiste uma medida de preços interessante de acompanhar quando se pretende descobrir uma bolha pelo telescópio: a evolução relativa de preços de imóveis e aluguéis, inexiste. Economistas e pessoal do setor comem esse mingau pelas beiradas, olhando dados de vendas de material de construção civil no varejinho, no atacado e para a construção pesada, vendas de imóveis novos etc.
Esta Folha noticiou que a venda de imóveis novos caiu quase 44% no primeiro quadrimestre deste ano (em relação a 2010). Os preços, porém, subiram de 20% a 47%, a depender do número de dormitórios.
A concessão de crédito imobiliário, segundo o Banco Central, continua crescendo ao ritmo de mais de 80% sobre o ano passado (comparação mês a mês), embora não saibamos para onde vai o dinheiro.
Mas o jeitão dos números, vagos e em parte contraditórios, permite perguntar se houve mesmo uma queda grande na demanda ou esgotamento da capacidade de oferecer imóveis ou um pouco dos dois.
Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas no varejo de material de construção cresceram 2,5%, segundo pesquisa feita pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) com o Ibope.
As informações sobre o andamento da construção civil e seu comércio, de resto, não servem para avaliar o ritmo do mercado imobiliário porque, obviamente, é difícil discernir qual o motivo de altas e tombos. A queda do consumo de material se deveu ao ritmo lento das obras "fora do mercado", subsidiadas, do Minha Casa, Minha Vida, o programa de habitação incentivado pelo governo? Veio da redução forte do ritmo de investimentos públicos (como em saneamento)?
O corte de despesas do governo atingiu, como de hábito, mais o investimento ("obras") que as de custeio. Estados e municípios têm segurado gastos, mostram as estatísticas fiscais -também seguraram obras de esgoto, escolas etc.?
A alta das taxas de juros e outras dificuldades no crédito, inadimplência maior inclusive, devem estar tolhendo o "consumo formiga" (varejo) de material de construção, uma fatia grande do mercado brasileiro. Mas a alta dos juros para o consumidor já teria segurado a construção de casas novas? A importação de material de construção mais caro, devido ao real forte, deve estar fazendo estragos nessa indústria.
Enfim, parece claro que o conjunto do setor de material de construção deu uma freada abrupta. Sobre imóveis, está difícil de saber, embora a hipótese de bolha, num mercado de financiamento tão primitivo como o brasileiro, pareça ainda mais débil do que sempre.
No início de maio, notava-se aqui que o "indicador de sentimento" (conversas informais, apenas) dos empresários do setor era que a euforia havia passado. Pois passou mesmo. Saber o motivo da calmaria já é tarefa mais difícil.
Não temos dados estatisticamente confiáveis nem sobre preços de imóveis em São Paulo, por exemplo. Inexiste uma medida de preços interessante de acompanhar quando se pretende descobrir uma bolha pelo telescópio: a evolução relativa de preços de imóveis e aluguéis, inexiste. Economistas e pessoal do setor comem esse mingau pelas beiradas, olhando dados de vendas de material de construção civil no varejinho, no atacado e para a construção pesada, vendas de imóveis novos etc.
Esta Folha noticiou que a venda de imóveis novos caiu quase 44% no primeiro quadrimestre deste ano (em relação a 2010). Os preços, porém, subiram de 20% a 47%, a depender do número de dormitórios.
A concessão de crédito imobiliário, segundo o Banco Central, continua crescendo ao ritmo de mais de 80% sobre o ano passado (comparação mês a mês), embora não saibamos para onde vai o dinheiro.
Mas o jeitão dos números, vagos e em parte contraditórios, permite perguntar se houve mesmo uma queda grande na demanda ou esgotamento da capacidade de oferecer imóveis ou um pouco dos dois.
Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas no varejo de material de construção cresceram 2,5%, segundo pesquisa feita pela Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção) com o Ibope.
As informações sobre o andamento da construção civil e seu comércio, de resto, não servem para avaliar o ritmo do mercado imobiliário porque, obviamente, é difícil discernir qual o motivo de altas e tombos. A queda do consumo de material se deveu ao ritmo lento das obras "fora do mercado", subsidiadas, do Minha Casa, Minha Vida, o programa de habitação incentivado pelo governo? Veio da redução forte do ritmo de investimentos públicos (como em saneamento)?
O corte de despesas do governo atingiu, como de hábito, mais o investimento ("obras") que as de custeio. Estados e municípios têm segurado gastos, mostram as estatísticas fiscais -também seguraram obras de esgoto, escolas etc.?
A alta das taxas de juros e outras dificuldades no crédito, inadimplência maior inclusive, devem estar tolhendo o "consumo formiga" (varejo) de material de construção, uma fatia grande do mercado brasileiro. Mas a alta dos juros para o consumidor já teria segurado a construção de casas novas? A importação de material de construção mais caro, devido ao real forte, deve estar fazendo estragos nessa indústria.
Enfim, parece claro que o conjunto do setor de material de construção deu uma freada abrupta. Sobre imóveis, está difícil de saber, embora a hipótese de bolha, num mercado de financiamento tão primitivo como o brasileiro, pareça ainda mais débil do que sempre.
O último exilado
Marcel Domingos Solimeo | 10 Junho 2011
Artigos - Governo do PT
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O STF não levou em consideração os direitos de proprietários instalados ha décadas na região, e nem o de cidadania de muitas pessoas nascidas nessas terras que, apesar de brasileiros, foram obrigados a partir, como se fossem invasores estrangeiros que deveriam ser expulsos.
Com grande tristeza, li no Estadão de domingo que o fazendeiro Adolfo Esbel, de 82 anos, junto com sua mulher Zilda Ribeiro, deixou sua propriedade, e a terra onde nasceu e criou 16 filhos, sendo o ultimo dos não índios a deixar a área de Reserva Raposa Serra do Sol. Qual foi o crime que Esbel cometeu para ter sua propriedade confiscada e ser expulso da região, como o último exilado de uma área que, imaginava ele e pensávamos nós, era de todos os brasileiros? Seu crime, punido de forma drástica pelo governo e pela Justiça, foi o de ser não índio, mas um cidadão de segunda classe, que não pode viver no território da nova "nação" que foi criada no país por pressões de organizações internacionais e de grupos financiados do exterior. Qual será a sensação dos senhores ministros do Supremo que votaram a favor da expulsão de cidadãos humildes de seus lares quando se acreditava que sua função era garantir os direitos de todos? Será que avaliaram corretamente as implicações de sua decisão sobre os direitos individuais? Ou será que já estamos em um estágio tão avançado de socialização que o direito coletivo prevalece sobre as garantias individuais, mesmo aquela claramente assegurada pela Constituição? Criou-se uma falsa imagem de que se tratava de uma disputa entre os "pobres" índios e os "poderosos" arrozeiros, quando, na verdade, havia muita gente humilde atingida pela decisão.Ao validar a demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol de forma contínua, dando a cerca de 19 mil índios uma área de 1,7 milhões de hectares, o STF não levou em consideração os direitos de proprietários instalados ha décadas na região, e nem o de cidadania de muitas pessoas nascidas nessas terras que, apesar de brasileiros, foram obrigados a partir, como se fossem invasores estrangeiros que deveriam ser expulsos. A política do governo Lula tem sido a de procurar criar divisões entre os brasileiros, seja com essa política de segregação de índios que de há muito convivem com os brancos, a qual atende a pressões externas, ou com a criação indiscriminada e injustificada de áreas para "auto denominados" quilombolas, ou com o regime de cotas nas Universidades e, ainda, com o estímulo aos invasores de terras. Procura substituir (ou complementar) a luta de classes, com a divisão da sociedade em raças, ou grupos ditos minoritários, sempre confrontando os direitos dos demais. A igualdade de direitos constante da Constituição sofre a mesma relativização que vem sendo aplicada em relação ao direito de propriedade, podendo-se lembrar de Orwel, em seu A Revolução dos Bichos, onde "todos são iguais, mas alguns são mais iguais".
Com essa decisão do Supremo sobre a Reserva, quando apenas os "direitos" dos índios foram levados em consideração, preocupa saber se o Judiciário continuará a ser o guardião do direito de propriedade e dos direitos individuais, ou se isso vai depender de outros fatores, como "a voz das ruas", ou as pressões externas ou governamentais. Existem ainda diversas áreas a serem demarcadas, no geral em regiões mais povoadas, o que poderá gerar novos conflitos entre os "direitos" dos índios e dos demais.
O fato de que existam inúmeras propriedades invadidas no Pará e em outras regiões do país, algumas há muito tempo, mesmo depois de terem obtido a reintegração de posse + na Justiça, sem que haja qualquer reação do Judiciário para fazer cumprir as determinações, contrasta com seu empenho na desocupação da área da Reserva. Também a ação da Polícia Federal, deslocando um grande contingente de policiais fortemente armados, como se fosse uma operação de guerra, não se repete para impedir as violências contra propriedades particulares, cujos direitos são assegurados pela Constituição, mas não são garantidos pelo Estado. Se as decisões da Justiça não são cumpridas, elas não representam uma garantia efetiva dos direitos dos cidadãos.
O tempo dirá o que vai acontecer na vasta região da Reserva, e com os índios que agora são seus "donos", e se a decisão do STF, ignorando os direitos de muitos brasileiros que viviam nessa área, não trará ainda mais conseqüências negativas para o país. Será que Adolfo Esbel será o último brasileiro exilado?
O autor é economista da Associação Comercial de São Paulo.
Diário do Comércio, 08/06/2011.
FRAUDE INTELECTUAL - Instituto do governo federal usa texto meu em concurso, faz patrulha ideológica, induz candidatos ao erro e atribui a Camões o que ele nunca escreveu. Recorram, senhores candidatos; serei testemunha!
Por nosso tio Rei... o maravilhoso Reinaldo Azevedo.
BOA LEITURA!!!!
Caras e caros,
10- Daqueles reis que foram dilatando
11- A Fé, o Império, e as terras viciosas
12- De África e de Ásia andaram devastando,
13- E aqueles que por obras valerosas
14- Se vão da lei da morte libertando:
15- Cantando espalharei por toda parte,
16 - Se há tanto me ajudar o engenho e arte.
Por Reinaldo Azevedo
BOA LEITURA!!!!
FRAUDE INTELECTUAL - Instituto do governo federal usa texto meu em concurso, faz patrulha ideológica, induz candidatos ao erro e atribui a Camões o que ele nunca escreveu. Recorram, senhores candidatos; serei testemunha!
o texto ficará bastante longo, como verão. Mas a questão é importante porque estamos diante de mais uma evidência das distorções a que a esquerdopatia submete a educação no Brasil. Como resolveram usar um texto meu para fazer lambança, então eu me sinto obrigado a denunciar os vigaristas intelectuais. Eu gosto de uma boa briga. A turma lá deve saber disso, espero.
*
Já escrevi uma vez: eles não se cansam, mas eu também não me canso. Eles têm a sua rede de vigarice e maledicência, eu tenho os fatos. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte fez um concurso para contratar professores de língua portuguesa para o ensino médio e nível superior. A turma lá decidiu usar um texto meu, publicado na ediçao nº 2025 da VEJA, de 12 de setembro de 2007. Ele serviu de referência para seis questões. Cinco delas têm de ser anuladas. Candidatos que se sintam lesados e queiram recorrer à Justiça podem usar este meu post como suporte. Eu sou o autor. Eu sei o que escrevi. E o Instituto mentiu sobre o meu texto.
*
Já escrevi uma vez: eles não se cansam, mas eu também não me canso. Eles têm a sua rede de vigarice e maledicência, eu tenho os fatos. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte fez um concurso para contratar professores de língua portuguesa para o ensino médio e nível superior. A turma lá decidiu usar um texto meu, publicado na ediçao nº 2025 da VEJA, de 12 de setembro de 2007. Ele serviu de referência para seis questões. Cinco delas têm de ser anuladas. Candidatos que se sintam lesados e queiram recorrer à Justiça podem usar este meu post como suporte. Eu sou o autor. Eu sei o que escrevi. E o Instituto mentiu sobre o meu texto.
O artigo que escrevi foi submetido a um crivo ideológico e teve seu sentido deturpado. Atribuíram-lhe um conteúdo comprovadamente falso. Pior: o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte induz os candidatos a um erro no que diz respeito à gramática, além de atribuir a Camões o que ele nunca escreveu. Escárnio: o concurso seleciona professores de língua portuguesa!
Abaixo, leitor, reproduzo em azul o meu artigo, que critica a recente reforma ortográfica, à qual ainda não aderi em sinal de protesto. Quando for obrigatório, não terei saída. Ainda estou no prazo. Mesmo escrito em 2007, ele poderia servir também como contestação às bobagens presentes no livro de Heloísa Ramos, aquela que faz a apologia do erro. Na seqüência, publico em vermelho (claro!) as questões do tal instituto e o gabarito. E chuto traseiros com gosto.
*
Restaurar é preciso; reformar não é preciso
*
Restaurar é preciso; reformar não é preciso
A reforma ortográfica que se pretende é um pequeno passo (atrás) para os países lusófonos e um grande salto para quem vai lucrar com ela. O assunto me enche, a um só tempo, de indignação e preguiça. O Brasil está na vanguarda dessa militância estúpida. Por que estamos sempre fazendo tudo pelo avesso? Não precisamos de reforma nenhuma. Precisamos é de restauração. Explico-me.
A moda chegou por aqui na década de 70, espalhou-se como praga divina e contribuiu para formar gerações de analfabetos funcionais: as escolas renunciaram à gramática e, em seu lugar, passaram a ensinar uma certa “Comunicação e Expressão”, pouco importando o que isso significasse conceitualmente em sua grosseira redundância. Na prática, o aluno não precisava mais saber o que era um substantivo; bastava, dizia-se, que soubesse empregá-lo com eficiência e, atenção para a palavra mágica, “criatividade”. As aulas de sintaxe - sim, leitor, a tal “análise sintática”, lembra-se? - cederam espaço à “interpretação de texto”, exercício energúmeno que consiste em submeter o que se leu a perífrases - reescrever o mesmo, mas com excesso de palavras, sempre mais imprecisas. O ensino crítico do português foi assaltado pelo chamado “uso criativo” da língua. Para ser didático: se ela fosse pintura, em vez de ensinar o estudante a ver um quadro, o professor se esforçaria para torná-lo um Rafael ou um Picasso. Se fosse música, em vez de treinar o seu ouvido, tentaria transformá-lo num Mozart ou num Beethoven. Como se vê, era o anúncio de um desastre.
Os nossos Machados de Assis, Drummonds e Padres Vieiras “do povo” não apareceram. Em contrapartida, o analfabetismo funcional expandiu-se célere. Se fosse pintura, seria garrancho. Se fosse música, seria a do Bonde do Tigrão. É só gramática o que falta às nossas escolas? Ora, é certo que não. O país fez uma opção - ainda em curso e atravessando vários governos, em várias esferas - pela massificação de ensino, num entendimento muito particular de democratização: em vez de se criarem as condições para que, vá lá, as massas tivessem acesso ao conhecimento superior, rebaixaram-se as exigências para atingir índices robustos de escolarização. Na prova do Enem aplicada no mês passado, havia uma miserável questão próxima da gramática. Se Lula tivesse feito o exame, teria chegado à conclusão de que a escola, de fato, não lhe fez nenhuma falta. Isso não é democracia, mas vulgaridade, populismo e má-fé.
Não é só a língua portuguesa que está submetida a esse vexame, é claro. As demais disciplinas passaram e passam pela mesma depredação. A escola brasileira é uma lástima. Mas é nessa área, sem dúvida, que a mistificação atingiu o estado de arte. Literalmente. Aulas de português se transformam em debates, em que o aluno é convidado (santo Deus!) a fazer, como eles dizem, “colocações” e a “se expressar”. Que diabo! Há gente que não tem inclinação para a pintura, para a música e para a literatura. Na verdade, os talentos artísticos são a exceção, não a regra. Os nossos estudantes têm de ser bons leitores e bons usuários da língua formal. E isso se consegue com o ensino de uma técnica, que passa, sim, pela conceituação, pela famigerada gramática. Precisamos dela até para entender o “Virundum”. Veja só:
“Ouviram do Ipiranga
as margens plácidas
De um povo heróico
o brado retumbante”
as margens plácidas
De um povo heróico
o brado retumbante”
Quem ouviu o quê e onde, santo Deus? É “as margens plácidas” ou “às margens plácidas”? É perfeitamente possível ser feliz, é certo, sem saber que foram as margens plácidas do Rio Ipiranga que ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Mas a felicidade, convenham, é um estado que pode ser atingido ignorando muito mais do que o hino. À medida que se renuncia às chaves e aos instrumentos que abrem as portas da dificuldade, faz-se a opção pelo mesquinho, pelo medíocre, pelo simplório.
As escolas brasileiras, deformadas por teorias avessas à cobrança de resultados - e o esquerdista Paulo Freire (1921-1997) prestou um desserviço gigantesco à causa -, perdem-se no proselitismo e na exaltação do chamado “universo do educando”. Meu micro ameaçou travar em sinal de protesto por escrever essa expressão máxima da empulhação pedagógica. A origem da palavra “educação” é o verbo latino “duco”, que significa “conduzir”, “guiar” por um caminho. Com o acréscimo do prefixo “se”, que significa afastamento, temos “seduco”, origem de “seduzir”, ou seja, “desviar” do caminho. A “educação”, ao contrário do que prega certa pedagogia do miolo mole, é o contrário da “sedução”. Quem nos seduz é a vida, são as suas exigências da hora, são as suas causas contingentes, passageiras, sem importância. É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação.
Professores de português e literatura vivem hoje pressionados pela idéia de “seduzir”, não de “educar”. Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, dão um pé no traseiro de Camões (1524-1580), mandam o poeta caolho cantar sua namoradinha chinesa em outra barcarola e oferecem, sei lá, facilidades da MPB - como se a própria MPB já não fosse, em nossa esplêndida decadência, um registro também distante das “massas”. Mas nunca deixem de contar com a astúcia do governo Lula. Na citada prova do Enem, houve uma “modernização” das referências: em vez de Chico Buarque, Engenheiros do Hawaii; em vez de Caetano Veloso, Titãs. Na próxima, é o caso de recorrer ao funk de MC Catra: “O bagulho tá sério / vai rolar o adultério / paran, paran, paran / paran, paran…”.
Precisamos de restauração, não de mais mudanças. Veja acima, no par de palavras “educação/sedução”, quanto o aluno perde ao ser privado da etimologia, um conhecimento fascinante. As reformas ortográficas, acreditem, empobrecem a língua. Não democratizam, só obscurecem o sentido. Uma coisa boba como cassar o “p” de “exce(p)ção” cria ao leitor comum dificuldades para que perceba que ali está a raiz de “excepcional”; quantos são os brasileiros que relacionam “caráter” a “característica” - por que deveriam os portugueses abrir mão do seu “carácter”? O que um usuário da nossa língua perderia se, em vez de “ciência”, escrevesse “sciência”, o que lhe permitiria reconhecer na palavra “consciência” aquela mesma raiz?
Veja o caso do francês, uma língua que prima não por letras, mas por sílabas “inúteis”, não pronunciadas. E, no entanto, os sempre revolucionários franceses fizeram a opção pela conservação. Uma proposta recente de reforma foi unanimemente rejeitada, à direita e à esquerda. Foi mais fácil cortar cabeças no país do que letras. A ortografia de Voltaire (1694-1778) está mais próxima do francês contemporâneo do que está Machado de Assis do português vigente no Brasil. O ditador soviético Stálin (1879-1953) era metido a lingüista. Num rasgo de consciência sobre o mal que os comunistas fizeram, é dono de uma frase interessante: “Fizemos a revolução, mas preservamos a bela língua russa”. Ora, dirão: este senhor é um mau exemplo. Também acho. O diabo é que ele se tornou referência de política, não de conservação da língua…
Já que uma restauração eficaz é, eu sei, inviável, optemos ao menos pela educação, não por uma nova e inútil reforma. O pretexto, ademais, é energúmeno. Como escreveu magnificamente o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), houve o tempo em que a terra surgiu, redonda, do azul profundo, unida pelo mar das grandes navegações. Um mar “portuguez” (ele grafou com “z”). Hoje, os países lusófonos estão separados pela mesma língua, que foi se fazendo história. A unidade só tem passado. E nenhum futuro.
Agora vamos às questões:
01. A organização das idéias apresentadas no texto é norteada pela
A) problematização da inutilidade da reforma ortográfica e da ineficácia das aulas de português e de literatura.
B) defesa de um ponto de vista alicerçado, sobretudo, em argumentos de autoridade.
C) crítica às teorias educacionais de Paulo Freire, associando-lhes a responsabilidade pelo insucesso das aulas de português e de literatura.
D) restrição temática a questões técnicas relacionadas à reforma ortográfica e ao ensino de língua portuguesa e de literatura, sem revelar posicionamentos de cunho político-ideológico.
A) problematização da inutilidade da reforma ortográfica e da ineficácia das aulas de português e de literatura.
B) defesa de um ponto de vista alicerçado, sobretudo, em argumentos de autoridade.
C) crítica às teorias educacionais de Paulo Freire, associando-lhes a responsabilidade pelo insucesso das aulas de português e de literatura.
D) restrição temática a questões técnicas relacionadas à reforma ortográfica e ao ensino de língua portuguesa e de literatura, sem revelar posicionamentos de cunho político-ideológico.
Comento
Evidentemente, a alternativa mais correta é a “D”, já que não esboço posicionamento político-ideológico nenhum! Num dado momento, digo ali que uma postura errada atravessou vários governos. Quem me patrulha é o instituto. A alternativa “A” pode sugerir que eu considero ineficaz ministrar aulas de língua e literatura. Eu as crítico na forma como são ministradas hoje. Mais: em nenhum momento eu afirmo que a reforma é inútil. Inútil é aquilo que não serve pra nada, que é irrelevante. Eu estou dizendo justamente o contrário: ela até pode ser útil a um propósito que considero ruim. EU SOU O AUTOR DO TEXTO, SENHORES “CONCURSANDOS” (é uma licença, valentes!). Eu sei o que escrevi. Estou assegurando que a resposta correta, dada as alternativas, é a “D”. Vamos à questão nº 2.
Evidentemente, a alternativa mais correta é a “D”, já que não esboço posicionamento político-ideológico nenhum! Num dado momento, digo ali que uma postura errada atravessou vários governos. Quem me patrulha é o instituto. A alternativa “A” pode sugerir que eu considero ineficaz ministrar aulas de língua e literatura. Eu as crítico na forma como são ministradas hoje. Mais: em nenhum momento eu afirmo que a reforma é inútil. Inútil é aquilo que não serve pra nada, que é irrelevante. Eu estou dizendo justamente o contrário: ela até pode ser útil a um propósito que considero ruim. EU SOU O AUTOR DO TEXTO, SENHORES “CONCURSANDOS” (é uma licença, valentes!). Eu sei o que escrevi. Estou assegurando que a resposta correta, dada as alternativas, é a “D”. Vamos à questão nº 2.
02. Ao longo do texto, as opiniões sobre a reforma ortográfica revelam
A) juízos de valor assentados nos princípios da sociolinguística, para a qual a natureza variável da língua é um pressuposto fundamental .
B) juízos de valor consoantes com o senso comum, uma vez que, para os estudos sociolinguísticos, é impróprio afirmar que há línguas ricas e línguas pobres .
C) sintonia com o princípio de que toda língua apresenta variação social ou diastrática, mais especificamente no que se refere à variação de classe social.
D) sintonia com uma visão do senso comum assentada na concepção sociointeracionista de linguagem.
A) juízos de valor assentados nos princípios da sociolinguística, para a qual a natureza variável da língua é um pressuposto fundamental .
B) juízos de valor consoantes com o senso comum, uma vez que, para os estudos sociolinguísticos, é impróprio afirmar que há línguas ricas e línguas pobres .
C) sintonia com o princípio de que toda língua apresenta variação social ou diastrática, mais especificamente no que se refere à variação de classe social.
D) sintonia com uma visão do senso comum assentada na concepção sociointeracionista de linguagem.
Das alternativas dadas, a mais correta e a “A”, mas dizem ser a “B” porque, afinal, eles não gostam de mim e acham que sou um sujeito reacionário, que se move pelo “senso comum”. A propósito, aquela digressão que fiz sobre “educação e sedução” é coisa que se encontra em qualquer esquina… Comuníssimo! Ora, eu escrevi o artigo justamente para demonstrar a “natureza variável da língua”: o “nosso” português é único, diferente dos demais; carrega as marcas da nossa história. A unificação pretendida é um delírio autoritário. Ao afirmar que a alternativa correta é a B, é forçoso admitir que eu defendi no texto a existência de “línguas ricas e de línguas pobres”. Os examinadores estão mentindo. Eu sei o que escrevi. Estou assegurando que a resposta correta, dada as alternativas, é a “A”. Vamos à questão nº 3.
03. Na intenção de ilustrar como seria uma aula de português que, em vez de seduzir, eduque, Reinaldo Azevedo orienta os professores a “destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas” (l. 49). Segue o excerto a que o autor fez referência.
01- AS ARMAS e os barões assinalados,
02- Que, da ocidental praia lusitana,
03- Por mares nunca de antes navegados,
04- Passaram ainda além da Taprobana,
05- Em perigos e guerras esforçados.
06- Mais do que prometia a força humana,
07- Entre gente remota edificaram
08- Novo reino, que tanto sublimaram;
09- E também as memórias gloriosas02- Que, da ocidental praia lusitana,
03- Por mares nunca de antes navegados,
04- Passaram ainda além da Taprobana,
05- Em perigos e guerras esforçados.
06- Mais do que prometia a força humana,
07- Entre gente remota edificaram
08- Novo reino, que tanto sublimaram;
10- Daqueles reis que foram dilatando
11- A Fé, o Império, e as terras viciosas
12- De África e de Ásia andaram devastando,
13- E aqueles que por obras valerosas
14- Se vão da lei da morte libertando:
15- Cantando espalharei por toda parte,
16 - Se há tanto me ajudar o engenho e arte.
CAMÕES, Luís. Os lusíadas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1990, p. 29. (Grandes obras da cultura universal; v.2.)
Em relação à orientação didática proposta por Reinaldo Azevedo, é correto afirmar:
A) não há justificativa sintática para admitir, nos catorze versos que antecedem a ocorrência do verbo espalhar, a função de objeto direto, pois eles se encontram antepostos ao verbo da oração principal .
B) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas de uma sequência de valor adverbial contida nesse conjunto de versos e adjunta do verbo espalhar.
C) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas do complemento do verbo espalhar, que aparece no verso quinze .
D) não há justificativa sintática para se atribuir transitividade direta ao verbo espalhar, uma vez que ele vem seguida pela preposição por
A) não há justificativa sintática para admitir, nos catorze versos que antecedem a ocorrência do verbo espalhar, a função de objeto direto, pois eles se encontram antepostos ao verbo da oração principal .
B) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas de uma sequência de valor adverbial contida nesse conjunto de versos e adjunta do verbo espalhar.
C) não se trata do “objeto direto dos catorze primeiros versos”, como assegura o autor, mas do complemento do verbo espalhar, que aparece no verso quinze .
D) não há justificativa sintática para se atribuir transitividade direta ao verbo espalhar, uma vez que ele vem seguida pela preposição por
Agora a coisa fica muito séria. No meu texto, afirmo: “Em vez de destrincharem o objeto direto dos catorze primeiros versos que abrem Os Lusíadas, apenas o texto mais importante da língua portuguesa, [os professores] dão um pé no traseiro de Camões (…)”. Notem que nem escrevi que todos os 14 versos são objeto direto, mas poderia tê-lo feito porque, de fato, é isso mesmo; as orações adjetivas que se colam aos objetos não mudam a sua natureza.
Dizem os examinadores que a alternativa correta é a “C”, mas inexiste alternativa correta pela simples razão de que “espalhar” é, sim, um verbo transitivo direto; se é, seu complemento é o objeto direto. Vamos ver.
- O primeiro objeto direto está no primeiro verso:
O narrador de “Os Lusíadas”, na ordem direta, está afirmando:
“[Espalharei por toda parte] as armas e os barões assinalados.”
O que vai do verso 2 ao verso 8 são orações subordinadas adjetivas explicativas — e explicam aquele objeto direto.
- O segundo objeto direto está no verso 9 e parte do 10
“[Espalharei por toda parte] também as memórias gloriosas daqueles reis”
O que se segue em parte do 10, no 11 e no 12 são orações subordinadas adjetivas restritivas.
- O terceiro objeto direto está em parte no verso 13:
“Espalharei por toda parte] aqueles”
O resto do 13 e o 14 também têm uma oração adjetiva restritiva.
O narrador de “Os Lusíadas”, na ordem direta, está afirmando:
“[Espalharei por toda parte] as armas e os barões assinalados.”
O que vai do verso 2 ao verso 8 são orações subordinadas adjetivas explicativas — e explicam aquele objeto direto.
- O segundo objeto direto está no verso 9 e parte do 10
“[Espalharei por toda parte] também as memórias gloriosas daqueles reis”
O que se segue em parte do 10, no 11 e no 12 são orações subordinadas adjetivas restritivas.
- O terceiro objeto direto está em parte no verso 13:
“Espalharei por toda parte] aqueles”
O resto do 13 e o 14 também têm uma oração adjetiva restritiva.
O que é mais espantoso na questão é que eles próprios admitem que esses termos são “complemento” do verbo “espalhar”. Está lá na alternativa C, que dão como correta. E o verbo “espalhar” tem qual transitividade? Um professor, à época, só descobri ontem, resolveu me contestar — e responderei em texto específico —, sustentando que todos aqueles complementos se referem a “cantando”. Lamento! Não é, não, valentão!
O “cantando” é o “modo” como o narrador espalhará — divulgará ao mundo e à posteridade — os feitos portugueses. E, como é um poeta, ele o fará “cantando” (à época, meu senhor, os poetas “cantavam” suas musas). Se fosse Leonardo Da Vinci, ele poderia dizer: “Pintando espalharei por toda parte”; se gosse Michelangelo, “esculpindo espalharei por toda parte”; se fosse Ideli Salvatti, “berrando espalharei por toda parte”; se fosse um examinador do tal instituto, “mentindo espalharei por toda parte”. Aqueles termos todos, na gramática, complementam o sentido do verbo “espalhar”. E o narrador o fará como, de que modo? “Cantando”.
O “cantando” é, nitidamente, uma manifestação da Oração Subordinada Adverbial Modal, que desapareceu, sem explicação, da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Não foi a única. A locativa também foi para o brejo. Mas, admito, isso pode dar algum debate, que fica para outro post. Atentem para o que vem agora.
Estupidez
A transcrição do trecho de Os Lusíadas traz dois erros que alteram o sentido de maneira grotesca. O mais grave está no verso 16: onde se lê “há tanto”, o certo é “a tanto”; onde meteram um verbo, Camões escreveu uma preposição! Inexiste aquele ponto final do verso 5; se ele estivesse lá, o que vem depois seria um anacoluto. Que turma é essa capaz de fazer essa miséria com Camões? Mas entendo: eles transcreveram o trecho de “Grandes Obras da Cultura Universal”. Posso lhes emprestar — melhor não… — uma das minhas edições de Os Lusíadas. A mais antiga é uma preciosidade revisada por Francisco Gomes de Amorim, publicado pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1889. Outra edição de referência é a organizada por Emanuel Paulo Ramos, da Porto Editora. Há diferenças. Mas em nehuma existe, obviamente, “há tanto”… Examinador que transcreve Camões de “Grandes Obras da Cultura Universal” merece chicote. Adiante.
A transcrição do trecho de Os Lusíadas traz dois erros que alteram o sentido de maneira grotesca. O mais grave está no verso 16: onde se lê “há tanto”, o certo é “a tanto”; onde meteram um verbo, Camões escreveu uma preposição! Inexiste aquele ponto final do verso 5; se ele estivesse lá, o que vem depois seria um anacoluto. Que turma é essa capaz de fazer essa miséria com Camões? Mas entendo: eles transcreveram o trecho de “Grandes Obras da Cultura Universal”. Posso lhes emprestar — melhor não… — uma das minhas edições de Os Lusíadas. A mais antiga é uma preciosidade revisada por Francisco Gomes de Amorim, publicado pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1889. Outra edição de referência é a organizada por Emanuel Paulo Ramos, da Porto Editora. Há diferenças. Mas em nehuma existe, obviamente, “há tanto”… Examinador que transcreve Camões de “Grandes Obras da Cultura Universal” merece chicote. Adiante.
04. No segundo parágrafo do texto, as ocorrências de uso das aspas evidenciam
A)uma forma de discurso relatado que apenas reproduz fielmente o que está sendo citado, sem que haja ruptura sintática .
B)fazer uma espécie de teatralização de algo dito em outro momento, de forma a atribuir maior fidelidade ao que está sendo dito, com ruptura sintática.
C)uma intenção de se manter, a distância, certas palavras, mas, ao mesmo tempo, dar legitimidade a esse distanciamento, sem haver ruptura sintática .
D)destacar trechos de afirmações cuja autoria não pode ser atribuída nem ao enunciador do texto nem algum outro enunciador.
A)uma forma de discurso relatado que apenas reproduz fielmente o que está sendo citado, sem que haja ruptura sintática .
B)fazer uma espécie de teatralização de algo dito em outro momento, de forma a atribuir maior fidelidade ao que está sendo dito, com ruptura sintática.
C)uma intenção de se manter, a distância, certas palavras, mas, ao mesmo tempo, dar legitimidade a esse distanciamento, sem haver ruptura sintática .
D)destacar trechos de afirmações cuja autoria não pode ser atribuída nem ao enunciador do texto nem algum outro enunciador.
O candidato deveria marcar a alternativa C, seja lá o que aquela coisa signifique. Eu não entendi o que faz lá aquele “se”, até porque, por uma questão de paralelismo, então seria preciso escrever “se dar”. Bem, eu sou o autor do texto, né? Eu não quis dar “legitimidade a distanciamento” nenhum, até porque não estendi o que essa borra quer dizer… Vamos à próxima.
05. Sobre o período É a disciplina que nos devolve ao caminho, à educação (l.47), é correto afirmar:
A) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como aposto de caminho.
B) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede educação, isso alterar-lhe-ia a função sintática .
C) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede “a” palavra educação, esta passaria a exercer a função de objeto direto do verbo devolver.
D) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como complemento nominal de caminho.
A) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como aposto de caminho.
B) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede educação, isso alterar-lhe-ia a função sintática .
C) se retirarmos o acento indicativo de crase do a que antecede “a” palavra educação, esta passaria a exercer a função de objeto direto do verbo devolver.
D) a expressão à educação funciona, sintaticamente, como complemento nominal de caminho.
Que gente é essa, meu Deus! Na questão que poderia ser não-ideológica, eles erram miseravelmente porque são incapazes de interpretar um texto. De fato, pode-se considerar correta, como eles querem, a alternativa C, mas eu, que sou o autor, asseguro: a correta é a “A”. Basta ler o meu texto para perceber que eu criei uma oposição entre “educação” e “sedução”, entre “caminho” e “afastamento do caminho”. Logo, quem leu direito entendeu que, com efeito, “caminho” é, sim, um aposto de “educação”. Mas esperem: a C também está correta porque, de fato, ela não difere em nada da B; apenas recorre à nomenclatura. Vamos à ultima.
06. Remetem às fases da forma prototípica da sequência dominante no texto
A) constatação inicial, problematização, resolução e conclusão-avaliação .
B) ancoragem ou afetação, aspectualização e relacionamento.
C) situação inicial, complicação, ações, resolução e situação final.
D) premissas, argumentos, contra-argumentos e conclusão .
A) constatação inicial, problematização, resolução e conclusão-avaliação .
B) ancoragem ou afetação, aspectualização e relacionamento.
C) situação inicial, complicação, ações, resolução e situação final.
D) premissas, argumentos, contra-argumentos e conclusão .
A resposta certas e a “D”. Huuummm… É a única que dá para aceitar das seis, embora “aspectualização” seja um desses complicômetros universitários que não servem nem para catar cocô. É só o fácil falar difícil, na suposição de que as palavras de que dispõe a língua são insuficientes para traduzir o que essa gente tem a dizer. Mas convenham: no conjunto da obra, esse é o menor dos males.
A isso estamos reduzidos. No post lá do alto, vocês vêem a miséria que fizeram num vestibular da Universidade de Brasília. Aqui, o proselitismo intelectual vigarista não poupa ninguém: Reinaldo Azevedo ou Camões! Ele está morto, não fala. Eu falo e chuto o traseiro desses pilantras.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
A coincidência de 1 bilhão de reais
A coincidência de 1 bilhão de reais
Depois de baixar em Brasília para piorar a crise protagonizada por Antonio Palocci, Lula resolveu aproveitar a vida no exterior. Na segunda-feira, fez uma palestra no Panamá para executivos da Odebrecht. Na terça, repetiu o numerito nas Bahamas para convidados do bilionário mexicano Carlos Slim. Na quarta, a bordo de um avião cedido por Slim, apareceu em Cuba para a escala de um dia e meio, com todas as despesas pagas pela Odebrecht. Vistoriou ao lado do ditador Raúl Castro as obras do porto de Mariel, construído pela Odebrecht ao preço de 200 milhões de dólares bancados pelo BNDES, e foi beijar a mão de Fidel escoltado por José Dirceu, Franklin Martins e Paulo Okamoto.
Na quinta, Lula levou a trinca para engrossar a plateia da palestra, paga pela Odebrecht, que faria na Venezuela. Foi recepcionado em Caracas por Emilio Odebrecht, presidente do Conselho Administrativo da construtora, e Marcelo Odebrecht, diretor-presidente. Não sobrou lugar para a imprensa no local do evento, reservado a empresários, investidores e diplomatas convidados pela Odebrecht.
Com mais de um ano de atraso, o presidentte Hugo Chávez ordenou, na véspera da chegada de Lula, o pagamento dos R$ 996 milhões que o governo venezuelano devia à Odebrecht, premiada com a construção do metrô de Caracas e da terceira ponte sobre o Rio Orinoco. Quase 1 bilhão de reais, parcialmente financiados pelo BNDES. Os diretores da Odebrecht garantem que foi só uma agradabilíssima coincidência. Em todo caso, no encontro com o amigo Chávez, Lula agradeceu a gentileza. Em seu nome e em nome da Odebrecht.
Na quinta, Lula levou a trinca para engrossar a plateia da palestra, paga pela Odebrecht, que faria na Venezuela. Foi recepcionado em Caracas por Emilio Odebrecht, presidente do Conselho Administrativo da construtora, e Marcelo Odebrecht, diretor-presidente. Não sobrou lugar para a imprensa no local do evento, reservado a empresários, investidores e diplomatas convidados pela Odebrecht.
Com mais de um ano de atraso, o presidentte Hugo Chávez ordenou, na véspera da chegada de Lula, o pagamento dos R$ 996 milhões que o governo venezuelano devia à Odebrecht, premiada com a construção do metrô de Caracas e da terceira ponte sobre o Rio Orinoco. Quase 1 bilhão de reais, parcialmente financiados pelo BNDES. Os diretores da Odebrecht garantem que foi só uma agradabilíssima coincidência. Em todo caso, no encontro com o amigo Chávez, Lula agradeceu a gentileza. Em seu nome e em nome da Odebrecht.
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