Alo dirigismo petralha, !! ehhh.
Por tio REI....
É Hudson
Silva. Ele estuda filosofia na Faculdade Federal do Piauí e participava
de uma das manifestações organizadas em Teresina contra a elevação da
tarifa de ônibus. Fragmento de uma bomba de efeito moral usada pela PM
para reprimir o protesto — violento, é bom que fique claro — o deixou
cego do olho direito.
Agora vamos
ao título lá do alto. O que lhes parece? Imito o procedimento das
milícias esquerdopatas que atuam nas redes sociais e nos sites e portais
da grande imprensa (aliás, nas redações também!). É claro que se trata
de uma partidarização detestável do fato. O grave, meus caros, é que a
imprensa por enquanto séria está se deixando contaminar por essa prática
— desde, é claro, que o partido atacado não seja, como é o caso, de
esquerda.
Acompanhem.
Foi parar no Jornal Nacional o conflito entre um PM e um estudante
invasor da USP — que lhe disse algo inaudível no vídeo, que o deixou
furioso. Já escrevi mais de uma vez que o comportamento do policial foi
inaceitável. O estudante em questão é um notório militante pró-invasão.
Tocava, junto com outro invasor, um bar — isto mesmo!!! — na área
pública invadida. Não saíram uma palavra e uma linha na chamada grande
imprensa sobre a privatização do espaço público. Mais: foi parar em rede
nacional a acusação de racismo. Afinal, o estudante é mestiço — nota:
ele não era o único do grupo, como acusou um certo frei. Voltemos agora
ao Piauí.
A manchete lá do alto, obviamente distorcida, é construída a partir de fatos, a saber:
1) O Piauí é governado por PSB e PT;
2) a PM do Piauí está, pois, sob o controle desses dois partidos;
3) houve um choque entre estudantes e PM;
4) fragmento de uma bomba de efeito moral deixou cego de um olho o estudante Hudson Silva;
5) Hudson Silva é, segundo os critérios adotados pelos militantes, negro — tão negro como o tal estudante da USP;
6) os dois ministros petistas não disseram mesmo nada a respeito.
Tudo isso é
verdade. Mas é evidente que o título lá do alto força a barra, não é? É
evidente que ele não é exemplo de bom jornalismo. Afinal:
1 - A PM está sob a gestão de um governo do PSB-PT, mas não é uma “polícia do PSB-PT”, e sim do estado do Piauí;
2 - o estudante que ficou cego de um olho é mestiço (os racialistas o
chamam “negro”), mas não há a menor evidência de que jogaram uma bomba
perto dele por isso — como não há a mais remota evidência de que o
policial da USP se indispôs com aquele invasor por causa da cor de sua
pele;
3 - ministros não têm a obrigação de ficar se pronunciando sobre confrontos que ocorrem nos estados;
4 - a formulação faz crer que a PM tem a intenção deliberada de ferir manifestantes;
5 - não fica claro, em nenhum momento, que a PM reagia a um protesto violento.
Este jornalista tem lado, sim!
Sim, eu tenho lado! O jornalismo “nem-nem” sempre me causou
repulsa. Hoje, nem mais isso ele é. E qual é o meu lado? É o de algum
partido? Uma ova! Sou aborrecidamente defensor da legalidade
democrática. E parto do princípio de que a imprensa séria também. Ou
não? Há casos que requerem conversa, e há casos que requerem polícia.
Não se deve usar polícia quando é para conversar e conversa quando é
para usar a polícia. “Ah, em conflitos sociais, sempre se deve bate
papo”… Desde que os manifestantes não decidam que incendiar ônibus é
uma forma de diálogo. Desde que os manifestantes não formem uma tropa de
choque particular para enfrentar a ordem.
Alguns
idiotas lotados mesmo na grande imprensa pretendem, para me
desqualificar, que eu seja uma espécie de “outro lado” (sempre essa
perspectiva) dos blogueiros a soldo do oficialismo, alimentados por
estatais. Podem me detestar à vontade (aliás, quanto mais batem, mais
cresço), mas saibam ao menos odiar. Errado! Eu não recebo dinheiro
público, da administração direta ou de estatais. Mais ainda: também não
lido, como Nelson Breve, com a grana que pertence a todos os
brasileiros. Ainda que eu fizesse o trabalho sujo que fez a EBC, mas do
“outro lado”, seria um caso diferente. Só que eu não faço.
Quando os
subordinados de Breve puseram no ar aquela mentira sobre mortos no
Pinheirinho, estavam fazendo um trabalho partidário. Ocorre, e eis a
sem-vergonhice essencial do procedimento, que nem todos os brasileiros
são petistas ou de esquerda. Usar o recurso que é de todo mundo para
veicular um ponto de vista que é de um grupo, e ainda ancorado numa
mentira, é prática de tiranos.
Um peso, duas medidas
NÃO, EU NÃO COBRO QUE A CHAMADA GRANDE IMPRENSA FAÇA COM OS
PARTIDOS DE ESQUERDA O QUE AS ESQUERDAS FAZEM COM OS PARTIDOS QUE DIZEM
SER DE DIREITA (JÁ QUE NÃO SÃO…). Cobro, isto sim, é que não se usem
para uns e outros um peso e duas medidas.
Alguma
emissora de televisão se interessou em conversar com o estudante do
Piauí, que ficou cego de um olho? Alguma entidade de defesa dos negros
acusou a prática de racismo? Alguém se lembrou de perguntar se houve ou
não exageros da PM (o mesmo se diga de Pernambuco e Espírito Santo,
também governados pela dupla PSB-PT)? Por que um “negro da USP” é uma
causa — adotada até pela grande imprensa —, mas um “negro do Piauí” não
interessa a ninguém? Será que as forças ainda dispostas a enfrentar o
petismo terão, também elas, de criar uma máquina de mentiras e
distorções para enfrentar a outra máquina de mentiras e distorções?
Acho este
post muito importante porque ele destrincha os passos da manipulação da
notícia. A grande imprensa, com raras exceções, está se tornando refém
das ONGs e dos grupos organizados de pressão. Como eles correram para
condenar a ação do PM na USP, acusando até racismo, o jornalismo foi
atrás. Como eles ignoraram os eventos do Piauí, de Pernambuco e do
Espírito Santo (afinal, os petistas financiam boa parte das entidades e
as dirigem), então a grande imprensa faz o mesmo.
Tenho a
impressão, às vezes, de que a chefia de reportagem de jornais, sites e
portais desapareceu e é exercida hoje por alguns coronéis das redes
sociais.