Escrevi
aqui outro dia um longo artigo sobre o aborto e afirmei que a tese de
que ele é expressão da libertação das mulheres é moral e historicamente
mentirosa. Está aqui.
Demonstrei que a interdição da prática, nos primórdios do cristianismo,
protegia as mulheres. Nos dias de hoje, observei que a China usa o
aborto legal — somado ao ultrassom — para impedir o nascimento de
meninas.
Pois bem. A
Folha de ontem traz um texto da Agência EFE que deveria ser lido
atentamente pela ministra Eleonora Menicucci, uma abortista fanática —
segundo uma entrevista concedida em 2004, ex-aborteira também. Leiam.
Volto em seguida.
Clínicas britânicas fazem aborto de grávidas que rejeitam sexo do bebê
Clínicas
particulares britânicas estão aceitando interromper a gravidez de
mulheres que desistem de ter o bebê quando sabem de qual sexo ele será. O
procedimento é realizado principalmente quando o feto é de uma menina,
afirma o jornal “The Daily Telegraph” nesta quinta-feira. A reportagem
do jornal fez uma reportagem com uma câmera escondida em que mostra como
médicos de hospitais particulares consentem fazer abortos motivados
unicamente pelo sexo do bebê. A prática é ilegal no Reino Unido. Em
declarações ao “Telegraph”, o ministro da Saúde, Andrew Lansley, da
linha conservadora, expressou preocupação e disse que dará início a uma
investigação urgente sobre o assunto.
Acompanhados
de grávidas, os repórteres participaram de consultas ginecológicas em
nove centros de saúde particulares do Reino Unidos que permitiam a
interrupção da gravidez pelas mães não estarem satisfeitas com o sexo do
feto. Em três clínicas, os médicos cobrariam entre 240 a 760 euros por
um aborto. Uma delas ofereceu a falsificação dos papéis do procedimento.
Em um dos casos, uma grávida de oito semanas explicou à médica de uma
clínica de Manchester, no norte da Inglaterra, que queria interromper a
gravidez porque teria uma menina. A especialista concordou. Em outro, a
grávida de um feto masculino de 18 semanas marcou um aborto em uma
clínica londrina sob o pretexto de que queria uma menina pois já tinha
um menino.
Uma lei
britânica de 1967 estabelece a interrupção de gestações de até 24
semanas se a saúde física ou mental da mãe estiver em risco, mas nunca
para escolha do sexo do bebê. Em 2010, Inglaterra e Gales responderam
por 189.574 abortos. O número é 8% superior que dez anos atrás. Em 2007,
um estudo da Universidade de Oxford indicou que, entre 1969 e 2005,
aumentaram os casos de escolha do sexo do bebê por meio de abortos,
principalmente nos nascimentos de meninas entre a comunidade hindu que
vive no Reino Unido.
Voltei
Pois é, tudo como eu queria demonstrar. O aborto, obviamente,
em boa parte do mundo, é só mais uma agressão às mulheres, mais uma
forma de discriminação.